A moça chega com seus filhos e senta no banco da praça. O playground é novo e disputado num sábado a tarde de sol. As crianças correm para os brinquedos e ela procura uma forma de mantê-los em seu campo de visão. Gangorra, balanço, escorregador, gritos e risos. Felicidade de recrear depois de uma semana cheia.
Do outro lado da rua tem um shopping. Lá chegam alguns adolescentes que olham vitrines, compram algumas roupas, vão ao cinema, usam a praça de alimentação. Depois de algumas horas vão embora e se preparam para uma semana de trabalho, estudos, de atividade.
Atrás de shopping tem um Centro de Convivência onde os jovens da melhor idade, na maioria, jogam dominó, frequentam a biblioteca e conversam animadamente. Muitos tem obrigações fixas durante a semana e aproveitam o sábado para momentos de diversão.
Vem a noite e os bares ficam cheios de jovens para a badalação. Olhares, cervejas, música... Diversão sempre.
Nenhum problema em trocar espaços e personagens de lugar. Continuaríamos com pessoas se divertindo.
A questão é que os últimos fatos querem determinar que o espaço de diversão de cada classe social deve ser delimitado. Estamos onde? Na Índia do século XIX, com sua sociedade de castas? Na África do Sul do apartheid? No Brasil da hiper inflação? Tem muita gente saudosa por um tempo onde o progresso só viria com a ordem, estabelecida pela minoria que usava roupa de grife e comia no fast food.
No mundo de hoje temos que acreditar na igualdade e na tolerância - valores que precisamos propagar urgentemente - até por uma questão de sobrevivência. E que as pessoas possam frequentar praças, shoppings, bares, bibliotecas... sem perguntar de qual bairro vem ou seu poder aquisitivo, como neste texto.