E as flores? Alguém com a retina cansada de cinza e o olfato cansado de fetidez perguntaria, de forma incisiva, diante de mais uma dificuldade imposta pela vida.
Tendemos ao cansaço por conta das dificuldades do cotidiano, dos obstáculos rotineiros. E somente os sobrehumanos não cansam. Não é simples você arquitetar uma trajetória e, por algo alheio a você e tua vontade, pegar desvio e ter que fazer tudo diferente do planejado, tudo contra princípios, hábitos, costumes... Tudo contra a tua natureza.
Para ficar mais dramático: geralmente tal desvio é pedregoso, íngreme e espinhoso. O desvio dilacera e marca teu corpo e tua alma. Não é fácil. Mas sendo o ser humano altamente adaptado as intempérie, acaba por se acostumar, se conformar, e segue em frente; na luta, mas resignado com os resultados.
Mas... E as flores? Respondo: não importa onde você esteja, como você esteja e o que esteja fazendo; as flores sempre estarão lá: a colorir e perfumar o dia. Existe uma grande chance de não encontrar tais flores no caminho, mas elas estarão sempre lá, dentro de você.
Colha as flores e distribua para as pessoas que ver pelo cinza do caminho. Ou melhor: plante estas flores pelo caminho e mostre para todos aquilo que você tem de mais colorido e perfumado. Você mesmo.