sábado, 30 de maio de 2015

Adolescer.

Daí você percebe que, apesar de não se conformar com isso, que vir ao mundo a trabalho (sempre disse isso com orgulho) não é algo salutar.

Não sei se é uma característica latina, algo da alma cristã. Se é a miscigenação... Se é o fato de falarmos português... Sei lá. Só sei que esta nossa inclinação ao descanso eterno e festa infinita (digo nossa por conta de ser parte da pátria) é um traço que me incomoda.

É... Me incomoda... Mas creio que este incômodo se resume a mim e mais um punhadinho de gente. Alardeia-se para quem quiser ouvir que isso é o melhor de nossa gente. Mas não quero sustentar a ideia que devemos nos tornar carrancudos e, já que a vida é dura, enrijecer as relações e abandonar o sorriso.

Mas é tão necessário ter esta conduta adolescente diante da vida? Beira a irresponsabilidade a atitude de chefes de família, profissionais, gente que a vida experienciou, a vontade de festejar sabe-se-Deus-o-quê. A sexta feira determina o tempo de adolescer, de se irresponsabilizar, de se inconsequentizar. Para alguns este período nunca termina.

Adolescer numa pátria adolescente. Tai: vou largar mão e cair na farra. Pena (ou sorte) que não consigo. Vai então: pega o copo e vai festejar a vida. Eu vou pegar a enxada e edificar a vida. Para o bem de todos. Amém... Pela eternidade.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Merece Desprezo.

A crítica é a ferramenta de ensino mais poderosa que o ser humano inventou. Baseio isso na história da humanidade e no quanto uma crítica pode promover alguém ou destruir o trabalho de muitos anos, seja ele bem edificado ou não.

A crítica ensina e constrói quando ela é respeitosa e demonstra para o criticado que existia um caminho que deixaria as coisas mais fáceis. Construtivo é aquele que exemplifica diante da situação e se utiliza da didática da vida para melhorar a vida do outro, não se recusando a fazer junto a tarefa. A crítica construtiva usa o erro como parâmetro para o acerto  e o progresso. A base é o elogio futuro.

A crítica ensina e destrói quando é feita cheia de rancor. Ela desqualifica o criticado e faz pó toda e qualquer crença no aprendizado. A base deste comportamento é o ataque indiscriminado a obra de alguém, sem respeito a história do criticado. O crítico destrutivo é incapaz de exemplificar, comportando-se como algoz e feitor de quem erra. Posiciona-se como superior diante dos problemas, afirmando deter o saber que resolveria todas as dificuldades. Mas, geralmente, cobra as soluções dos outros.

O sensacional disso é que a crítica ensina independente da postura. Seja pelo amor ou pela dor as pessoas aprendem. O que se deve considerar é o ônus e o bônus desse aprendizado.

Agora, seja construindo ou destruindo, é deprimente aquele ser que veio ao mundo somente para criticar. Apesar da crítica ser educativa, a força motriz da vida é o elogio. O ser incapaz de elogiar é incapaz de ser humano. Merece nosso desprezo.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Enjoei.

Enjoei... E foi repentino. Enjoei de uma hora para outra e sem fazer alarde. Enjoei sem avisar ninguém e sem sinalizar que o enjôo vinha chegando. Enjoei foi de sopetão.

As pessoas custaram a acreditar que eu havia enjoado. Primeiro porque não dei nenhum sinal, nem segundos antes, que eu enjoaria. E em segundo, mas não em segundo plano na importância, eu demostrei afinco e sempre executei tudo com maestria até informar, sem rodeios, que havia enjoado.

Mas o mais surpreendente é como as pessoas não enjoam hoje em dia. Na realidade elas até enjoam, mas graças a política do "prefiro a merda que eu ja conheço do que uma merda nova", ficam se fazendo de felizes e satisfeitas quando estão absurdamente enjoadas com a situação.

E como choca se declarar enjoado. Estamos acostumados - quase que programados - a aceitar todas as situações em prol daquilo que é bem quisto ou bem aceito. No meu caso particular, que enjoei de algo que todos fazem sem crítica, a reprova é certeira. Agora, não é porque todos fazem, por ser algo amplamente divulgado, aceito, e até esperado, que enjoei de algo positivo. Enjoei de algo que, definitivamente, só atrapalha. Mesmo com todos achando algo normal.

Mas enjoei e, a partir de agora, não farei mais o que vem me causando náusea e repulsa. Enjoei de reclamar da vida... Não reclamo mais dela... E tenho dito.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Barro na barranca

A semelhança entre o ser humano e o barro é impressionante. Não sou um estudioso profundo da Bíblia, mas acredito que existe alguma passagem por lá que comente sobre isso. Não pretendo parafrasear o melhor livro de todos os tempos (juntamente com a Torá, o Alcorão, O Trabalho, Crime e Castigo...), mas, se está na Bíblia, certamente não estou equivocado nas minhas observações.

Tira-se o barro (pode ser argila também) fresquinha e mole da beira do manancial. Dali moldamos o artefato que permitir. Depois de moldado coloca-se no forno. Rijo e consolidado, se faz os devidos acabamentos e "simbora pruso".

O ser humano é " igual que igual": nasce e moldamos nele aquilo que bem entendemos. Depois de moldado, coloca-se no forno da juventude para que as experiências da vida façam enrijecer e consolidar aquilo que foi moldado. De caráter pronto (e isso nós não temos a vida toda para definir) é construir sua vida e colher barro na barranca para moldar de acordo com suas crenças.

A lamentar ver como se molda o barro de forma equivocada. Vide crianças funkeiras e outras aberrações. Como serão estes utensílios depois que o forno trabalhar? Espero que não virem refugo.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A menina, a mãe e a vida.

E o que se leva da vida? Leva-se a vida a vida que a gente leva. Ouvi, neste final de semana, a seguinte frase: "Vamos aproveitar bem a vida porque vamos ficar morto por muito tempo". Mas, aproveitar a vida? Que trem será isso?

A menina aproveitou a vida na retidão. Largou o menino que amava por recomendação da mãe. A explicação era que precisava estudar e iria se perder por conta do namoro. Embora fosse muito aplicada - e já estivesse formada - e não concordasse muito com o que a mãe falava do menino, seguiu as orientações da mãe.

E estudou muito. Fez duas faculdades ( as duas escolhidas pela mãe). Embora quisesse viajar e conhecer o mundo, jamais objetou o fato da mãe escolher seu futuro. Logo a mãe a motivou a largar os empregos que tinha e trabalhar junto com ela na costura. A mãe garantia menos tempo de trabalho, mais dinheiro e tranquilidade... E, embora parecesse que a mãe iria controlá-la mais ainda, por ser família sempre, aceitou a proposta.

O pai já estava cansado das manias da mãe. Resolveu pedir separação. Irmãos e irmãs ficariam com o pai. A menina até queria ficar sozinha e não tomar partido de ninguém, pois já tinha idade e condições de se manter sozinha. Mas a mãe fez drama... E a menina cedeu mais uma vez.

Os anos passaram e a vida fez da menina uma pessoa triste e isolada. Mas ela tinha a mãe. Era um lenitivo. Mas ela queria casar, ter filhos, ter profissão. Mas a mãe... Ah! A mãe.

Encontrou um rapaz. Sabia que não era o homem de tua vida. Sabia que o homem da tua vida havia passado. Mas a mãe frequentava a igreja e, mesmo com alguns problemas que o rapaz tinha, a mãe acreditava que ele melhoraria e seria o ideal para a menina. Trabalhariam todos juntos... A menina, pobre e carente menina, aceitou o que a mãe dizia. Pelo menos não ficaria sozinha.

Mas o rapaz não se endireitou. E a menina não aceitou mais este não. Correu atrás e insistiu. A menina acabou morta pelo rapaz. A menina apanhou até morrer. Ela ficou irreconhecível. A mãe pegou tudo que a menina conseguiu juntar em vida. Alegou ser tudo dela. Não foi ao IML nem no enterro. Disse que preferia lembrar da filha usando seus bens.

E a vida? Ora... A vida é isso ai.

sábado, 2 de maio de 2015

A imbecilidade das massas.

A negação da verdade é pior que a certeza da mentira. A impressão é que a letargia das pessoas diante dos acontecimentos é algo comum e prazeroso para aqueles que estão no comando. Esta sanha por posses e poder faz parecer natural o derretimento de cérebros e consciência das pessoas.

É sabido que, para os governantes, é salutar a imbecilidade das massas. A ignorância é a principal ferramenta de perpetuação dos mesmos no poder. Todavia isto era feito na surdina, disfarçando e dando caráter de bem estar a cada retrocesso. Atualmente a governança se despiu de vergonha e atua sem esconder seu propósito de degradar para se manter no comando.

E isso nada tem a ver com moral e bons costumes. Muito menos com algum discurso engajado de direita ou esquerda. Isto tem a ver com aquilo que independe de doutrina politica ou credo religioso. Tem a ver com bom senso.

Minha filha é das Artes desde os três anos. Hoje com dez ela, aos poucos, vai consolidando seus gostos, preferências e, principalmente, seu processo de aprendizado com o trato profissional com a Arte.

Cabe a mim, como pai e responsável por ela, garantir que sua manifestação artística ocorra com tranquilidade e de forma genuína, sem dar margens a interpretações errôneas e condutas inadequadas para uma criança.

Desta forma eu não entendo a visibilidade oferecida e a absoluta inoperância da Justiça - que é uma instancia governamental - a respeito de crianças que dançam com roupas e coreografias com conotação sexual e cantar músicas de gosto discutível e conteúdo escatológico.

Pior: parece que o poder quer, desde muito jovem, que as pessoas não precisam, para propagar e viver de Arte, se pautarem de estudo e respeito. Existe até apoio público para estas práticas. Não quero ser repetitivo, mas o mundo está muito, mas muito, estranho: se aplaude e dá audiência ao rebolar desconexo de uma criança e fingimos não ver o tratamento criminoso que se dá a aqueles que estudam e batalham para fazer Arte com conteúdo de qualidade. Estranho isso. Não é?