E o que se leva da vida? Leva-se a vida a vida que a gente leva. Ouvi, neste final de semana, a seguinte frase: "Vamos aproveitar bem a vida porque vamos ficar morto por muito tempo". Mas, aproveitar a vida? Que trem será isso?
A menina aproveitou a vida na retidão. Largou o menino que amava por recomendação da mãe. A explicação era que precisava estudar e iria se perder por conta do namoro. Embora fosse muito aplicada - e já estivesse formada - e não concordasse muito com o que a mãe falava do menino, seguiu as orientações da mãe.
E estudou muito. Fez duas faculdades ( as duas escolhidas pela mãe). Embora quisesse viajar e conhecer o mundo, jamais objetou o fato da mãe escolher seu futuro. Logo a mãe a motivou a largar os empregos que tinha e trabalhar junto com ela na costura. A mãe garantia menos tempo de trabalho, mais dinheiro e tranquilidade... E, embora parecesse que a mãe iria controlá-la mais ainda, por ser família sempre, aceitou a proposta.
O pai já estava cansado das manias da mãe. Resolveu pedir separação. Irmãos e irmãs ficariam com o pai. A menina até queria ficar sozinha e não tomar partido de ninguém, pois já tinha idade e condições de se manter sozinha. Mas a mãe fez drama... E a menina cedeu mais uma vez.
Os anos passaram e a vida fez da menina uma pessoa triste e isolada. Mas ela tinha a mãe. Era um lenitivo. Mas ela queria casar, ter filhos, ter profissão. Mas a mãe... Ah! A mãe.
Encontrou um rapaz. Sabia que não era o homem de tua vida. Sabia que o homem da tua vida havia passado. Mas a mãe frequentava a igreja e, mesmo com alguns problemas que o rapaz tinha, a mãe acreditava que ele melhoraria e seria o ideal para a menina. Trabalhariam todos juntos... A menina, pobre e carente menina, aceitou o que a mãe dizia. Pelo menos não ficaria sozinha.
Mas o rapaz não se endireitou. E a menina não aceitou mais este não. Correu atrás e insistiu. A menina acabou morta pelo rapaz. A menina apanhou até morrer. Ela ficou irreconhecível. A mãe pegou tudo que a menina conseguiu juntar em vida. Alegou ser tudo dela. Não foi ao IML nem no enterro. Disse que preferia lembrar da filha usando seus bens.
E a vida? Ora... A vida é isso ai.
Nenhum comentário:
Postar um comentário