Já chamei muita gente pra dançar. Poucos aceitaram o convite. Primeiro porque tenho dois pés esquerdos, portanto sem habilidade para dança. Segundo por absoluto preconceito com minha estatura e forma física. Isto nunca me fez mal, até porque sempre tive coisas mais relevantes para me encanar do que ser inábil para dançar.
Mas me lembro da época que isso fazia diferença. Estava na quarta série e a turma - essencialmente formada por alunos repetentes e mais velhos - resolveu encerrar o semestre com um bailinho e a professora topou.
Lembro de passar a tarde inteira convidando as meninas para dançar. Do samba rock a lenta, foram incontáveis os nãos. Até a vassoura e a cadeira me negaram o prazer da dança.
No final da tarde me lembro da Regina sentando do meu lado. Ela ria a valer do meu jeito e se admirou de mesmo sendo sistematicamente recusado, eu não ter desistido. Ela ficou num canto o baile todo, pois disse que não dançaria com ninguém no dia anterior.
Eu tinha quase 10. Ela quase 14... E nossas idéias dançaram como o casal mais hábil da gafieira. Descobri então que atitude é tudo, mesmo sem saber dançar.
E continuo convidando o povo para dançar desde então
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