sexta-feira, 13 de maio de 2011

Minha hora, meu serão!

Duas vezes na semana me reúno, em serão, com meus colegas de seara para a reunião pedagógica mensal (RPS) ou hora de trabalho pedagógico coletivo (HTPC). Este momento deveria ser dedicado a formação do professor e a troca de experiências profissionais na busca de um aprendizado efetivo dos alunos. À reboque deste trabalho deveriam vir momentos para planejamento com seus pares e confecção de projetos coletivos para a série/ano/ciclo.

Descrevi o quadro ideal, mas, geralmente, não é isso que acontece. Somos atingidos por ondas de recados e informes e um calhamaço de demandas administrativas que, na minha humilde opinião, um caderno ou uma rede de email's dariam conta. Se isso não acontece, somos bombardeados por leituras de textos enfadonhos e que, pelo adiantado da hora, não são assimilados por absoluto cansaço.

Claro que isto não acontece em todas as unidades escolares, mas tenho certeza que o que eu descrevi está presente na maioria. Cobram tanto dinamismo nas nossas aulas e grande parcela de assistentes e coordenadores pedagógicos são maçantes nos seus processos de formação e tacanhos nas relações interpessoais. Isto fica muito claro diante da necessidade de lavar a "roupa suja" com ou entre os docentes. Nestes anos de caminhada na Educação já vi discussões homéricas entre professores e coordenadores apagando o incêndio com gasolina.

Entretanto deixo o pior para o final: certa vez ouvi de uma diretora que eu deveria justificar por escrito minha ausência nesta hora pois, segundo fala de uma superiora dela, o horário pedagógico é uma "concessão da Administração Pública a um pedido dos educadores e que as faltas sem justificativa podem mostrar o desinteresse e, por causa de um professor, todos podem vir a perder esta benesse". Clareando os fatos: não pedi nada, pois nunca vi esse horário cumprir com sua finalidade; e bem que poderia perdê-lo, pois já fiz diversas afirmações que este horário traz um dinheiro "maldito" e que o mesmo é uma "fábrica geradora de doenças". Antes que me preguem na cruz, cabe esclarecer que não sou contra o horário pedagógico, mas fazê-lo após uma jornada de 10 horas numa sala de aula, noite à dentro, sem dinamismo e fora dos seus reais objetivos é, no mínimo, um atentado ao bem estar do professor. 

Paz e bem!

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