Em um curto espaço de tempo me dei conta que o tempo passou. Olho os fatos com um distanciamento e muito do que ocorre não é mais novidade e, na maioria das vezes, não me causa estranheza. Tudo parece conseqüência da vida moderna.
As pessoas entram nas lojas e amealham diversos e variados itens. Certamente, muito do que compram, é absolutamente necessário. Todavia há uma quantidade gigantesca de produtos supérfluos que poderiam, simplesmente, não ser adquiridos. O tempo me fez mais avesso ao consumo do que já sou e, agora, mais de um carro na garagem e possuir uma casa de praia já aparenta um usufruto desnecessário: sinal da idade.
Outro fenômeno que mostra que o tempo passou: os novos logradouros (e alguns velhos que foram rebatizados) juntamente com os recém inaugurados prédios públicos ganham nomes de pessoas que conheci. Muitos são heróis e ídolos que acompanhei a carreira e serão, por todo sempre, admirados por mim. Outros são desafetos e, em minha opinião, não mereceriam nenhum tipo de homenagem. Agora, o mais estranho é que muitos desses batismos são para pessoas que conheci bem, algumas até pessoalmente.
É, o tempo passou. Restaurante “self-service” e a pressa das pessoas, parecendo que os compromissos estão correndo atrás delas é algo irritante. Ninguém parece ter tempo de olhar num cardápio e pedir, polidamente, a um garçom, sua refeição. Depois saboreá-la devagar e agradecer o bom serviço prestado. Sem falar no paladar: antes eu conseguia provar todos os itens oferecidos num rodízio de pizza. Não deixei de freqüentá-los, mas pizza de hot dog ou strogonoff de carne eu deixo para paladares mais juvenis.
Minha filha mais velha não pede mais auxílio para ler algumas coisas e dá conta de uma série de coisas sozinha. A pequena cresceu. “O tempo passou e eu não vi”.
Mas não me sinto pesaroso, muito menos velho ou idoso. Por sinal, já ouvi diversas vezes de um jornalista de longa carreira que existe diferença entre ser velho e idoso, pois o velho está no fim da vida e o idoso começa uma nova etapa. Não me sinto no fim, muito menos no início. Meu sentimento não é de “missão cumprida”, mas sinto que ela chegou na metade.
Idade, Kilder, traz colheita dos frutos das sementes que você semeou, fique tranquilo, se você já plantou uma árvore, teve um filho e escreveu(qualquer coisa) cumpriu metade do que deveria, mas se você é professor cumpriu por essa e por umas dez próximas vidas
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