Tenho dois sambas gravados neste tempo de estrada na música. O que remeto hoje foi escrito há 17 anos e nasceu após eu ouvir a seguinte frase de um pagodeiro famoso a época: "Se raiz fosse boa, não ficava embaixo da terra." O desrespeito com quem já passou me incomodou e este samba foi uma resposta para esta idéia. O pagodeiro falava ainda de "melodias mais ricas" nos pagodes, "melhor amplitude vocal" dos cantores do gênero e "uma música mais fácil de pegar entre o povão". Queria falar a frase dele e acrescentar que "sem raiz a árvore cai", mas a música enveredou por um caminho mais amistoso e conciliador. Gravação do Sabor de Samba (com minha voz em 2002) e do grupo Magya (molecada de responsa) em 2007. Só procurar em www.4shared.com que a gravação do Magya está lá.
Paz e bem!
Tributo aos Bambas
Se “As rosas não falam”, ouço o som das “Folhas secas”.
É assim o samba de roda lá na Estação Primeira.
Por causa da Velha Guarda, sambar é coisa moderna.
Que ecoa nesta quadra e viva nossa Portela.
O samba é democrático, não é coisa marginal.
Vai ai nossa homenagem: viva o Fundo de Quintal.
Atingiu maioridade, sambar agora é normal.
Toca em todas as rádios, é sucesso nacional.
Hoje o samba tem guitarra
E num passe de mágica mudou até de nome,
No pagode tem teclado... Esqueceram o bandolim:
Embala o choro, brasileiro, cultura sem fim.
Mas o samba não deixou de ter garra,
Não mudou o seu compasso, nem perdeu sua raiz.
O banjo não é passado... Tem repique e tamborim:
Um samba novo pode se tocar assim.
Enquanto houver pandeiro e um cavaquinho,
O samba não morre, só toma outro caminho.
Não vi o samba nascer, mas no samba hei de crescer:
Eu sou do samba e no samba vou morrer.
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