sexta-feira, 8 de abril de 2011

Juntos

                   Estar junto com alguém e algo sublime. Falo de algo além da relação carnal entre macho e fêmea. Estar junto de alguém, nas mais variadas relações do cotidiano, é algo que beira o místico, o mágico.
Minha afirmação é pautada por razões absolutamente particulares, baseadas na forma em que enxergo as relações humanas – que muitas pessoas classificam como efêmero e inusitado. Muitos sociólogos, filósofos, gente entendida no ramo da civilização, classificam o ser humano como animal gregário, isto é, que não sabem viver sozinhos, dependendo do convívio social para desenvolverem suas virtudes, vicissitudes e sua existência.
Discordo disso. O ser humano optou pela vida em comuna devido a sua fragilidade física em relação aos outros animais. Mesmo com seu intelecto desenvolvido (e seu dedo polegar em oposição ao indicador), enfrentar um mamute ou um urso sozinho é, até hoje, sem a existência dos mamutes e a quantidade rareada de ursos, uma insanidade. Estar juntos é para somar forças pela sobrevivência, não necessariamente para colaboração mútua.
Entrando por este flanco – da colaboração mútua – vejo os argumentos dos entendidos em civilização caírem por terra. Se olharmos em volta, é possível ver a colaboração entre humanos como algo natural? Excetuando alguns poucos abnegados (Jesus, Buda, Maomé, Moisés...) o natural é a lei de Talião: “Dente por dente, olho por olho”. Ou, como diria minha avó com sua sabedoria popular quase chula: “Farinha pouca, meu pirão primeiro.” A competitividade e o espesinhamento são naturais da espécie, basta observar crianças num ambiente sem censura e tire suas conclusões.
O ser humano é, na minha humilde visão, um animal programado mentalmente para solidão, mas sem aparato físico ou psicológico para tanto. Desta feita resigna-se a tacanha convivência social, seja para matar mamutes, seja para não enlouquecer e morrer por falta de diálogo.
Todavia, este grilhão social, que propiciou a criação de um imenso aparato para esta convivência: linguagem oral, escrita, cálculo, estrutura militar, título de propriedade, dinheiro, enlouquece qualquer humano que é obrigado a estar junto de alguém que não queira.
Concluo falando da mais enlouquecedora das formas de estar junto: o casamento. O fogo da paixão esfria, os defeitos tornam-se maiores que as virtudes, os dividendos sobressaem aos lucros, o cheiro de quem está junto incomoda e, o pior: finda o diálogo, substituído por discussões intermináveis (bem que a discussão é um diálogo, ainda que incivilizado) ou um profundo silêncio. Mesmo assim as pessoas ficam juntas: para somarem fraquezas e permanecerem infelizes e insatisfeitas. Sentimentos que são as molas mestras de tudo que a espécie humana amealhou nos últimos cinco mil anos.
É... Estar junto é o maior dos males necessários da humanidade.
Paz e bem!

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