Todavia esta composição partidária apresenta dificuldades. Listarei algumas e farei uso, neste primeiro momento, de exemplos internacionais, embora possam ser transportados facilmente para nosso cenário político.
Vejo um problema sério de denominação nos partidos políticos. Nos EUA nós temos o partido Democrata e o partido Republicano. Eles são antagônicos entre si, mas ambos defendem a democracia e a república. Somente conhecendo a história é possível reconhecer um como de um pouco mais de vanguarda e outro um pouco mais de linha reacionária. Embora antagônicos, seus nomes não permitem uma localização imediata do lado que ocupam.
Não vejo como correto ou salutar um partido defender apenas uma classe. Dá impressão de sindicato, onde "se a farinha é pouca, meu pirão primeiro". Na Polônia, um dos principais partidos leva o nome do principal sindicato do país. Esta relação entre governo e sindicalismo (embora sejam espaços privilegiados de exercício político) acaba por ser promíscua e pelega.
No Brasil então, com o sistema pluripartidário, temos uma salada de siglas a favor do social, do trabalhador, do meio ambiente, da democracia. Acho difícil algum partido ser contrário, independente de seu alinhamento, a estas ideias.
Ainda no caso do Brasil, a dificuldade é maior. Não há uma definição clara entre direita e esquerda. É importante recordar que todas as tendências politicas brasileiras e suas principais lideranças dividiam palanque pela redemocratização na penúltima década do século passado. Além de falta de alicerce diferenciado de discussão (por conta do mesmo nascedouro), a possibilidade de trocar de legenda a cada período eleitoral acaba por descompromissar o político de alguma ideologia. No Brasil, ninguém é genuinamente de direita ou esquerda.
Então temos a jabuticaba: o Brasil é um país presidencialista parlamentar. Escrevo sobre isto amanhã.
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