O barato da coisa é que, na grandeza de um de repente e na demora de um segundo, o que doía passou a confortar, o que era aconchego virou repulsa, o que era lenitivo se transforma em veneno. O que desce passa a subir e o que sobe desembesta a descer.
Como são bem vindos estes momentos em que perdemos o freio e o comando. Momentos em que as certezas nos dão o delicioso benefício da dúvida e vemos nossas convicções levadas pelo vento como poeira. Excelente perder o chão.
Perder o chão é a oportunidade que você espera para criar asas. Estar na beira do abismo e dar um passo adiante pode ser a melhor atitude. Para que deixar para amanhã o que você pode deixar para lá?
O que vale neste mundo, na loucura que é ser humano, é a certeza absoluta que do pó viemos e para o pó voltaremos. Definido o começo e o fim, vamos levar o meio da forma mais leve possível, sabendo que tudo que é bom enjoa. E o meio passa muito rápido, não vale a pena passar enjoado por ele.
Não se prenda a realidade. Ela é uma ilusão.
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